as
envoltos em assombrações
dormimos no peito frio um
                 do outro
da cicatriz no teu mamilo
                 esquerdo
nascem galáxias

o contraste é perfeito
entre o amarelo gasto do céu
e a brancura higiênica dos teus gestos
quando finge falar a verdade

as vezes somos assim
fantoches arcaicos
ou
um desenho animado traçado
pelos raios do sol contra a maré

tudo o que acontece
enquanto respiramos
             é descartável

a realidade tem cor de concreto
um cinza azulado
                    feito lama

o essencial é o sangue
é a temperatura do sangue
que nos abraça e banha o mundo

somos dois corpos
não somos fantasmas
talvez um tipo de encenação

e nossa coroa será ganha
quando esquecermos
a palavra         rotina
e no lugar
dispararmos um tiro
contra o peito um
               do outro
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