ph18
eu nasci e nada fiz
além de abrir caminhos
a vida essa é essa série
de desassossegos
dias cheios de névoa e
plantas carnívoras invisíveis
e tudo o que significa é ir
ir ao encontro do voo
achar no meio da treva
o fragmento de alguma razão
talvez estourar os dias calmos
pescar nuvens lamacentas
e arrancar o azul da voz
é transpassar a cova funda
ser um bárbaro não muito feroz
bravejar junto aos cães de prata
inundar a medula de dúvidas
viver forte feito um corvo corça
beber o sangue da madrugada
nenhum amanhã esperar
mas cantar com os pêssegos
rastejar com os poemas vegetais
é ser um cometa certeiro
e a morte esperar sem temer
feito a bola em direção ao goleiro

 

 

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HOJE NASCEU UM MONSTRO

monstro
talvez nasceram dois ou três?
quase pedi pra dar teu nome
mas não sei falar monstrês
hoje nasceu um monstro
se eu soubesse falar frânces
pensaria em chateau ou bistrô
ele é bravo e tem cara de fome
eu vejo nele a tua imagem
quase pedi pra dar teu nome
gostaria da homenagem?
hoje nasceu um monstro
e de longe alguém gritou:
pronuncie o nome ou ele some!
e de perto alguém falou:
dê logo o nome ou ele te come!
hoje nasceu um monstro
dei a ele teu codinome
o que lembra teu nome ao contrário
mesmo sendo um tanto ordinário
me lembra você de quatro
me lembram tuas cuecas brancas
me lembra teu perfume barato
me lembram tuas belas ancas
hoje nasceu um monstro
ele é você dormindo
ele é você bebendo
ele é você sorrindo