BURACO NEGRO

roxa-sculptoris

a culpa é desse medo
esse monumento caído
achando que é bandido armado
desejando estourar nossos tímpanos
gargarejando obscenidades
desfazendo sonhos como castelos de areia
a culpa é desse peito frio
dessa inércia momentânea
estúpida
a culpa é desse pesadelo íntimo
que nos arranca as cicatrizes
que de nossas memórias
faz sanfona
e se ergue completamente vazio
a culpa não é nossa
é desse breu nos olhos
repertório superficial
girando sem eixo
a culpa são dessas
pedras brilhantes
virtudes escorrendo do peito
a culpa é dessa coragem desvairada
melancólica prateleira vazia
a culpa é dessa comoção eterna
dessa gente bicho
dessa consciência inexistente
a culpa é dessas bandeiras
territórios do poder
maléficas fábricas de precipícios
em corações desavisados

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